O montante aparece no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de outubro da Instituição Fiscal Independente e não incorpora outras propostas apresentadas na campanha, como o Pé‑de‑Meia Universitário e a gratuidade do transporte coletivo nos fins de semana.
Quais medidas geram impacto
- Reajuste do Bolsa Família — aumento dos benefícios do programa social;
- Fim das bets (apostas de quota fixa) — perda de arrecadação relacionada à atividade;
- Pacote para MEI — ampliação de benefícios para microempreendedores individuais.
Projeções e ajuste necessário
A IFI projeta déficit primário de 0,5% do PIB para este ano. Para 2027, os novos compromissos juntam‑se a divergências entre as estimativas da IFI e os números do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e podem elevar o déficit primário efetivo potencial a 1% do PIB.
A instituição calcula que seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida pública/PIB. Os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade afirmaram que isso indica a necessidade de um ajuste fiscal equivalente a algo como 3 pontos percentuais do PIB.
Juros e risco da dívida
O relatório destaca que a mediana das estimativas para a taxa de juro real neutra subiu para 6,1% ao ano no terceiro trimestre, ante 5% usado anteriormente como referência pela IFI. Com esse juro neutro mais alto, o superávit primário necessário para estabilizar a dívida subiria de 2,1% para 2,9% do PIB. A probabilidade de a dívida bruta superar 90% do PIB até 2030 aumenta de 78,9% para 81,6% quando considerada a incerteza sobre o juro neutro.
Operações de crédito e impacto nas contas
O relatório chama atenção para operações de crédito feitas pela União com recursos do Orçamento, classificadas como despesas financeiras. Pagamentos relacionados a créditos concedidos com recursos orçamentários passaram de R$ 71,7 bilhões em 2023 para R$ 220,3 bilhões acumulados até outubro deste ano. Descontados os retornos ao Tesouro, as saídas líquidas somaram R$ 147,7 bilhões em 2025 e R$ 180,5 bilhões nos dez primeiros meses deste ano. A IFI ressalta que, embora essas operações não integrem formalmente a meta primária, elas afetam a trajetória da dívida.
Previdência e BPC
Na área da Previdência, o relatório aponta que o PLOA de 2027 não contabiliza o impacto estimado em R$ 13 bilhões de uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre aposentadoria especial. Sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a IFI observa divergências entre as projeções do governo e os registros até agosto, que indicavam expansão no total de benefícios emitidos, ao contrário da expectativa de redução de beneficiários na segunda metade do ano.
Quanto à condução da política econômica após a reeleição, a IFI não prevê mudanças bruscas, espera continuidade de uma estratégia gradualista e defende medidas consistentes para enfrentar o desequilíbrio das contas e viabilizar investimentos. A instituição recomenda a apresentação de um plano fiscal para os próximos quatro anos e a definição do comando do Ministério da Fazenda.
O Ministério do Planejamento e Orçamento informou que pretende remanejar R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para cobrir parte dos novos gastos e que o restante seria compensado pela revisão para baixo de estimativas de gastos obrigatórios no projeto de lei do Orçamento. A mensagem de alteração do PLOA será enviada ao Congresso assim que for designado o relator do projeto. Para este ano, a pasta disse que os impactos serão residuais, pois a maior parte das medidas começa a valer efetivamente no ano seguinte.



