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Economia3 min de leitura

Setor público tem déficit de R$ 5,5 bilhões em setembro e dívida fica em 82,9% do PIB

Endividamento permanece em 82,9% do PIB, maior nível desde 2021, apesar de melhora no déficit em relação a 2025

Por Redação Mastigado

Fonte: Agência Brasil · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

O setor público teve déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro, bem menor que os R$ 17,5 bilhões de setembro de 2025. A dívida bruta ficou estável em 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões), nível alto desde 2021.
Setor público tem déficit de R$ 5,5 bilhões em setembro e dívida fica em 82,9% do PIB
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O resultado de setembro foi sustentado pelo superávit do governo central e atenuado pelos déficits de estados, municípios e estatais. Os números são do Banco Central e mostram uma dívida que segue em patamar alto, o mais elevado desde 2021, ano ainda marcado pela pandemia de covid-19.

O déficit primário, que exclui os juros da dívida pública, melhorou em relação a setembro de 2025, quando foi de R$ 17,5 bilhões. O resultado variou entre os níveis de governo e as estatais.

Resultado por esfera

Em setembro, o Governo Central registrou superávit de R$ 3,5 bilhões, enquanto estados e municípios acumularam déficit conjunto de R$ 5,6 bilhões. As empresas estatais também apresentaram déficit, de R$ 3,4 bilhões. A soma consolidada desses valores resultou em um déficit de R$ 5,497 bilhões, inferior ao déficit de R$ 10 bilhões em agosto e às perdas de R$ 17,5 bilhões no mesmo mês do ano anterior.

Apesar da melhora mensal, o déficit primário acumulado entre janeiro e setembro de 2026 foi de R$ 94,3 bilhões, ou 0,93% do PIB, acima do acumulado de R$ 79,2 bilhões (0,84% do PIB) no mesmo período de 2025.

Dívida permanece em patamar elevado

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui o governo federal, o INSS e os governos estaduais e municipais, alcançou R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB, mantendo-se estável em relação a agosto, mas com alta de 4,3 pontos percentuais em 2026. Em 2022, a dívida estava em 71,7% do PIB.

O Banco Central aponta que em setembro os juros nominais contribuem para elevar a dívida em 0,8 ponto percentual do PIB, enquanto resgates líquidos de dívida reduziram o indicador em 0,4 ponto percentual, e a variação do PIB nominal teve impacto negativo de 0,4 ponto percentual sobre a relação dívida/PIB.

Juros aumentam déficit nominal

As despesas com juros nominais do setor público totalizaram R$ 107,5 bilhões em setembro, aumento de R$ 22,8 bilhões em relação ao mesmo mês de 2025. A elevação decorre do aumento do estoque da dívida, da inflação medida pelo IPCA e do resultado menos favorável das operações de swap cambial.

No acumulado dos últimos 12 meses até setembro, as despesas com juros chegaram a R$ 1,205 trilhão, ou 8,99% do PIB, acima dos R$ 984,8 bilhões (7,86% do PIB) do período anterior. Considerando os juros, o déficit nominal do setor público foi de R$ 113 bilhões em setembro e acumulou R$ 1,275 trilhão (9,51% do PIB) nos últimos 12 meses.

Dívida líquida e trajetória do déficit

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta os ativos financeiros, atingiu R$ 9,4 trilhões, ou 70% do PIB, em setembro, avanço de 0,7 ponto percentual em relação a agosto e de 4,7 pontos percentuais no ano, influenciado principalmente pela incorporação dos juros da dívida.

Apesar do déficit acumulado em 2026, houve melhora na trajetória dos últimos 12 meses, com déficit primário de R$ 70,1 bilhões (0,52% do PIB), reduzido em comparação aos 0,62% do PIB registrados em agosto.

Os déficits por segmento no período foram: Governo Central com R$ 52,7 bilhões (0,39% do PIB), estados com R$ 14,4 bilhões (0,11% do PIB) e empresas estatais com R$ 10 bilhões (0,07% do PIB), enquanto os municípios apresentaram superávit de R$ 7 bilhões (0,05% do PIB).

A manutenção da dívida pública em níveis elevados e o custo elevado com juros continuam sendo desafios fiscais importantes para o Brasil, pois elevam o custo do financiamento governamental e limitam o espaço orçamentário para investimentos e outras despesas.