Radiologistas Giovanni Guido Cerri e Cesar Namura debateram os limites éticos e a necessidade de regulamentação da inteligência artificial na medicina no programa CNN Sinais Vitais, com o Dr. Kalil.
Proteção de dados e vieses algorítmicos
Um dos pontos centrais da discussão foi a proteção dos dados de pacientes. Cerri afirmou que é preciso garantir que informações pessoais não sejam expostas: "Os dados têm que ser anonimizados, ou seja, tem que se dar segurança que os dados do paciente não vazem, não sejam disponibilizados no sistema". Ele também destacou que já existem recursos tecnológicos para essa proteção.
Os especialistas alertaram para o risco de vieses em algoritmos treinados fora do país. Segundo Cerri, modelos desenvolvidos em lugares como Suécia ou China podem não refletir a realidade da população brasileira, por isso "os algoritmos têm que ser validados aqui dentro do nosso sistema".
Projeto de lei e regulamentação no Brasil
A necessidade de ajustes na legislação para acompanhar o avanço da IA na saúde foi outro tema. Cerri relatou que participou das discussões sobre um projeto de lei iniciado no Senado, que no texto original classificava qualquer aplicação de IA na saúde como de alto risco. "O projeto era muito ruim, muito restritivo", avaliou.
Após a participação de especialistas e pressão para mudanças, o texto foi modificado e atualmente tramita na Câmara dos Deputados. Cerri afirmou que a lei deve equilibrar proteção e inovação: "A lei não deve nem impedir a inovação, nem impedir a sua utilização. Mas, claro, que tem que estar contemplados aí os riscos para o paciente".



