Um novo estudo publicado na revista Nutrients sugere que mudanças no intestino podem afetar a dor articular e a função muscular por meio de compostos produzidos pelas bactérias e hormônios liberados pelo trato digestivo.
Como foi o estudo
O ensaio clínico randomizado INSPIRE avaliou adultos com osteoartrite de joelho e dividiu os participantes em quatro grupos para comparar intervenções isoladas e combinadas.
- Suplemento diário de inulina (prebiótico)
- Programa de exercícios de fisioterapia apoiado digitalmente
- Combinação de inulina e fisioterapia
- Placebo
O desenho permitiu avaliar separadamente os efeitos do prebiótico e do exercício, além de possíveis benefícios adicionais ao combiná‑los.
Resultados principais
Tanto a inulina quanto a fisioterapia reduziram a dor no joelho. O grupo que recebeu apenas inulina mostrou, além disso, melhora na força de preensão e redução da sensibilidade à dor — medida que reflete a reação do sistema nervoso ao estímulo doloroso. A adesão também foi diferente entre as intervenções: 3,6% de abandono no grupo de inulina versus 21% no grupo de fisioterapia digital.
Possível mecanismo
Os pesquisadores observaram aumento nos níveis de butirato, um ácido graxo de cadeia curta produzido quando bactérias fermentam a inulina, e também elevação do hormônio GLP‑1. Níveis mais altos de GLP‑1 se associaram a maior força de preensão, o que sugere uma ligação entre microbiota, produção hormonal e função muscular — embora a associação não comprove relação de causa e efeito.
A autora principal, Dr. Afroditi Kouraki, disse que o estudo abre a possibilidade de que uma mudança simples na alimentação — acrescentar um suplemento de fibra ao café da manhã ou iogurte — possa reduzir a dor e melhorar a função física. A coautora, professora Ana Valdes, destacou que a relação observada entre GLP‑1 e força sugere um eixo intestino‑músculo‑dor que merece investigação adicional.
Especialistas citados no estudo lembram que os resultados são promissores, mas preliminares: o ensaio foi relativamente curto e com número limitado de participantes. São necessárias pesquisas maiores e de longa duração para confirmar se os benefícios persistem, identificar quem tem maior probabilidade de responder e esclarecer os mecanismos biológicos. Os autores também enfatizam que o suplemento não substitui exercícios ou tratamentos estabelecidos, mas pode ser uma estratégia adicional para manejar sintomas.



