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Curiosidades3 min de leitura

Detectado primeiro sinal de rádio diretamente ligado a um exoplaneta: Beta Pictoris b

Emissões aurorais captadas pelo radiotelescópio MeerKAT permitiram medir um campo magnético mínimo cerca de 2.500 vezes o da Terra

Por Redação Mastigado

Fonte: g1 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Pesquisadores anunciaram a primeira detecção de emissões de rádio atribuídas diretamente ao exoplaneta Beta Pictoris b, a 63 anos‑luz. As radioauroras permitiram estimar seu campo magnético em pelo menos 2.500 vezes a intensidade do campo terrestre.
Detectado primeiro sinal de rádio diretamente ligado a um exoplaneta: Beta Pictoris b
Foto: European Southern Observatory/AP Photo/picture alliance

O conjunto de radiotelescópios MeerKAT, na África do Sul, observou o sistema em quatro sessões entre 2025 e 2026, cobrindo a faixa de 0,85 a 3,5 gigahertz. Os astrônomos registraram uma emissão persistente e rajadas breves com forte polarização circular, padrão associado a radioauroras.

A detecção foi apresentada por uma equipe internacional liderada por Kevin Ortiz Ceballos, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Segundo os pesquisadores, as características do sinal apontam para auroras produzidas pela instabilidade máser de ciclotron de elétrons (ECMI), o mesmo mecanismo responsável por emissões observadas em planetas do Sistema Solar, como Júpiter — não há indicação de comunicação extraterrestre.

Como mediram o campo magnético

A frequência máxima das ondas de rádio está ligada à intensidade do campo magnético que as gera. O MeerKAT registrou sinais até 3,5 gigahertz — o limite superior da faixa observada — e, com base nisso, os autores calcularam que o campo magnético na região emissora é muito superior ao de Júpiter e cerca de 2,5 mil vezes maior que o campo na superfície da Terra. Os pesquisadores ressalvam que esse valor é um mínimo e que o campo pode ser ainda mais intenso; o resultado está disponível na plataforma arXiv e ainda não passou por revisão por pares.

Identar a origem do sinal no planeta exigiu alta precisão nas medições. Os astrônomos usaram quasares distantes como referência para localizar as emissões e descartaram tanto a estrela hospedeira quanto o planeta vizinho β Pictoris c como fontes prováveis.

Por que o sinal só foi detectado agora

Buscas anteriores não haviam encontrado emissões semelhantes: uma campanha com o Very Large Array em 2022 e outra investigação em 2024 terminaram sem detecções, em parte porque observaram frequências mais baixas (250–500 megahertz). Além disso, β Pictoris b tem características que favorecem sinais fortes: massa estimada entre 10 e 12 vezes a de Júpiter e rotação rápida — cerca de oito a nove horas — o que pode alimentar emissões aurorais intensas. Os pesquisadores também avaliaram mecanismos alternativos, como vento estelar ou interação com uma lua hipotética, mas calcularam que nenhum deles, isoladamente, forneceria energia suficiente para a potência observada.

Os autores defendem que a técnica abre uma nova via para estudar o magnetismo de exoplanetas, uma propriedade relevante para entender a retenção atmosférica e a exposição ao vento estelar. A equipe já planeja observar outros sete gigantes gasosos em cinco sistemas próximos, e espera que a próxima geração de radiotelescópios, com sensibilidade cinco a sete vezes maior, permita detectar sinais semelhantes em mais objetos.