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Economia3 min de leitura

CNI corta projeção do PIB para 1,6% em 2026

Revisão reflete indústria e serviços mais fracos; agropecuária teve alta na estimativa; inflação e Selic seguem elevadas

Por Redação Mastigado

Fonte: Agência Brasil · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

A CNI cortou a previsão de crescimento do PIB para 1,6% em 2026 (antes 2%), citando desempenho mais fraco da indústria e dos serviços. A agropecuária teve a projeção elevada; a inflação estimada é de 5,15% e a Selic, 13,25%.
CNI corta projeção do PIB para 1,6% em 2026
Foto: REUTERS/Washington Alves

O Informe Conjuntural do terceiro trimestre aponta que a revisão se deve ao desempenho mais fraco esperado para a indústria de transformação e para o setor de serviços, com juros elevados, custo do crédito e desaceleração da demanda interna pressionando a produção.

Principais projeções

  • PIB: crescimento de 1,6% em 2026, ante previsão anterior de 2%.
  • Indústria: alta de 1,3%, contra 2% estimados anteriormente.
  • Indústria de transformação: retração de 0,7%.
  • Serviços: crescimento de 1,6%, ante 1,9%.
  • Agropecuária: expansão de 2,5%, acima dos 1,8% previstos anteriormente.
  • Inflação (IPCA): projeção de 5,15% para o ano.
  • Selic: previsão de encerramento de 2026 em 13,25% ao ano.
  • Dívida pública bruta: estimativa de 83,7% do PIB.

A análise ressalta que a indústria será a mais afetada pela desaceleração: a projeção do setor caiu de 2% para 1,3%, sobretudo pela queda esperada na indústria de transformação. Entre os fatores citados estão a redução da demanda interna, o custo elevado do crédito, o aumento dos custos de produção e a concorrência de importados.

Dentro do setor industrial, a indústria extrativa tem previsão de crescimento de 9,1%, e a construção, de 1,5%, sustentada por investimentos em infraestrutura e pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida.

O setor de serviços teve sua projeção reduzida de 1,9% para 1,6%, segundo a CNI, que observa estabilidade do volume de serviços desde o fim de 2025 e desaceleração do comércio, especialmente em segmentos mais dependentes de crédito. Em sentido oposto, a agropecuária viu a estimativa subir de 1,8% para 2,5%, impulsionada por perspectiva favorável para a segunda safra de milho.

Em relação ao mercado de trabalho, a entidade estima crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026 e recuo da taxa de desemprego de 5,3% para 5% até o fim do ano. A massa de rendimentos reais deve aumentar 4,6%.

Sobre a inflação, a CNI projeta aceleração nos últimos meses do ano e estima IPCA de 5,15% em 2026, acima dos 4,26% registrados em 2025. A entidade prevê que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das duas reuniões restantes do ano, terminando 2026 em 13,25%.

Nas contas públicas, a projeção é de déficit primário de R$ 54,6 bilhões em 2026, o equivalente a 0,4% do PIB; com as exclusões previstas nas regras fiscais, o resultado seria um superávit de R$ 12,6 bilhões. A CNI estima que a dívida pública bruta suba de 78,6% para 83,7% do PIB.

Para o comércio exterior, a previsão é de superávit de US$ 77,3 bilhões em 2026, quase 30% acima do resultado de 2025. As exportações estão estimadas em US$ 386,7 bilhões (alta de 10,3%) e as importações em US$ 309,4 bilhões (alta de 6,4%).